A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.




        

Royal Navy: evolução e superioridadedo poder naval britânico na era dos navios a vela

Rodney Alfredo Pinto Lisboa
Professor da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás) e da Fundação de Ensino e Pesquisa de Itajubá (Fepi).


RESUMO
Geograficamente localizadas entre o Oceano Atlântico, o Canal da Mancha, o Mar da Irlanda e o Mar do Norte, as ilhas britânicas sempre se mostraram susceptíveis a eventuais ameaças estrangeiras. Com base em uma filosofia expansionista de projeção de poder que combinava diplomacia astuciosa com a eficiência do instrumento militar, os ingleses desenvolveram uma marinha de guerra capaz de rivalizar e superar outras potências na busca pelo controle das rotas marítimas de comércio e pela hegemonia nos oceanos. Através das experiências acumuladas no curso de inúmeras batalhas decisivas, a Marinha Real impôs-se sobre seus adversários em diferentes conflitos navais travados entre os séculos XVI e XIX, emergindo ao final das Guerras Napoleônicas (1799-1815) como a maior potência naval na era dos navios a vela.

PALAVRAS-CHAVE: Grã-Bretanha, expansão marítima, poder naval
ABSTRACT
Geographically located between the Atlantic Ocean, English Channel, the Irish Sea and the North Sea, the British Isles have always been susceptible to any foreign threats. Based on an expansionist philosophy of power projection that astute diplomacy combined with the efficiency of the military instrument, the British developed a Navy able to compete and overcome other powers in the quest for control of sea lanes of commerce and hegemony in the oceans. Through the experiences gained in the course of many decisive battles, the Royal Navy imposed upon their opponents in different naval conflicts fought between the 16th and 19th centuries, emerging at the end of the Napoleonic Wars (1799-1815) as the greatest naval power in the age of sailing ships.


KEYWORDS: General Government, defense, economic exploitation

EXPLORAÇÃO MARÍTIMA DO OCEANO ATLÂNTICO (1419-1507)

Como nação insular, ao longo de sua história, a Inglaterra sofreu uma série de invasões de território que alertavam para a atenção que precisava ser dada ao mar e para a necessidade de se constituir uma frota naval que defendesse o reino de ameaças externas.

Durante a transição da Idade Média (476-1453 d.C.) para a Idade Moderna (1453-1789 d.C.), a Inglaterra, assim como a grande maioria das nações europeias, enfrentava uma séria crise que acabou provocando forte declínio socioeconômico. A escassez de reservas minerais (ouro e prata), usadas como pagamento dos mercadores que traziam especiarias e outros artigos do Oriente, forçava os países europeus a buscarem novas reservas minerais além dos limites do continente, com o objetivo de estabelecer rotas de comércio com mercados produtores de matéria-prima que suprissem a demanda interna e consumissem os produtos manufaturados na Europa.

(Veja o artigo na íntegra na versão PDF)