A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.





A formação do Estado do Brasil oitocentista é um tema que sempre suscitou inúmeros debates e uma pluralidade de interpretações produzidas por historiadores de diferentes gerações. Com o título “O Atlântico, o comércio, as guerras e as instituições militares na formação do Estado do Império do Brasil”, o dossiê dessa edição foi organizado por Lúcia Maria Bastos Pereira das Neves, inaugurando uma parceria entre a revista e renomados pesquisadores de diferentes núcleos de estudos e pesquisas, visando a alargar o espaço dialógico e ampliar seu papel na produção do conhecimento histórico. Foram reunidos cinco artigos que tratam não somente das guerras e das instituições militares na primeira metade do oitocentos, mas também do comércio e, principalmente, da importância do Atlântico, “herdado” de Portugal e (re)significado no decorrer do século XIX.

Na seção Artigos, o leitor se deparará com uma multiplicidade de objetos de estudos. Esse conjunto formado por quatro artigos se inicia com a análise desenvolvida por Wilmar Vianna sobre a administração da América Portuguesa no contexto do Pós-Restauração, centrando sua atenção na figura do Mestre de Campo General Roque da Costa Barreto e nas questões de defesa e controle territorial, permitindo-nos melhor compreensão sobre as singularidades da gestão do Império Ultramarino Português. Em seguida, Rodney Lisboa descreve a relação histórica da Inglaterra (mais tarde, Grã-Bretanha) com o mar e o processo de desenvolvimento de seu Poder Naval desde o final do século XV até as Guerras Napoleônicas, contexto que culminará na “Pax Britannica” alicerçada num poderoso aparato militar naval. Perpassando a administração do Marquês de Pombal até o Primeiro Reinado, Ney Paes Loureiro Malvásio analisa o estabelecimento do Arsenal de Marinha de Santos, seu revigoramento durante as lutas de independência do Brasil e sua importância na construção de navios durante a Guerra da Cisplatina (1825-1828), a primeira das guerras do Brasil independente na região do Prata. Encerra a seção, um artigo escrito coletivamente, sob a orientação de Deisi Scunderlick Eloyde Farias, descrevendo pesquisas arqueológicas desenvolvidas numa área que engloba a Praia de Naufragados, Ponta do Papagaio e Praia do Sonho, no litoral de Florianópolis, região de muitos registros de naufrágios que datam desde o século XVI.

Publica-se na seção Comunicação a palestra proferida pelo historiador naval Helio Leoncio Martins no Instituto de Geografia e História Militar do Brasil sobre as Revoluções de 1930. São relatos de um contemporâneo sobre acontecimentos ocorridos durante o processo de instalação do Estado Novo de Getúlio Vargas.

Debruçando-se sobre a cartografia brasileira, Paulo Knauss resenha o livro A cartografia impressa do Brasil: 1506-1922, em que evidencia os aspectos mais relevantes e originais dessa obra produzida por uma das maiores referências no campo da história da cartografia, o historiador naval Max Justo Guedes.

Encerrando essa edição, em consonância com a temática do dossiê, publica-se um documento produzido pela Companhia de Guardas-Marinha no final do século XVIII. Sua análise feita por Luana Góes elucida a importância desse tipo de fonte para a compreensão do
cotidiano de uma das instituições que acompanharam a Corte portuguesa para o Brasil em princípios do século XIX.

A Revista Navigator tem procurado oferecer ao público trabalhos originais e edições multifacetadas, publicando pesquisas inéditas sobre história marítima e de profícuo diálogo entre pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento histórico. Essa edição é o resultado
positivo desse amálgama. Boa leitura!

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