A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.





As multifacetadas relações políticas e sociais, a dinâmica funcional do Estado Imperial e as relações internacionais durante o Brasil oitocentista frequentemente surpreendem muitos pesquisadores. O fato é que há inúmeras possibilidades de estudos que ainda não foram devidamente aprofundadas. Com o tema Poder Naval, comércio e instituições militares, esta décima segunda edição da Revista Navigator propõe, em seu Dossiê, a articulação desses elementos a partir de um eixo axial, a história naval brasileira no século XIX.

O Dossiê é aberto com o trabalho de Francisco Doratioto, que evidencia de modo notável como a diplomacia e a balança de poder na região platina dependeram do respaldo da Marinha Imperial brasileira. Em seguida, a partir da atuação da empresa Samuel & Phillipis, Carlos Gabriel Guimarães aborda questões contundentes para a história das finanças e do comércio, imbricando assim a história da Marinha Mercante, de Guerra e o Sistema Atlântico no século XIX. Depois, ao estabelecer diálogos com a Teoria Social, Renato Restier apresenta propostas analíticas inéditas de investigação das relações entre o Conselho Naval e a elite imperial. As ações da Marinha brasileira contra o tráfico de escravos são exploradas e deslindadas por Gustavo de Sousa. Extrapolando os limites do Império do Brasil, Suellen Mayara demonstra com argúcia como as representações historiográficas da “Revolução de Maio”, na Argentina, prestaram-se a atender às demandas do presente e aos desejos do futuro. Encerrando o Dossiê, Lúcia Bastos, Lucia Guimarães e Tânia Bessone apresentam estudo instigante e original sobre as pouco conhecidas relações entre o Império e a China.

Além do Dossiê, Mariza Ribas de Almeida traz uma análise das características que marcaram o processo decisório atinente ao ingresso da mulher militar na Marinha, cujos 30 anos foram comemorados em 2010. Também na Seção Artigos, Carlos Rios e Marcela Valls apontam subsídios para uma carta arqueológica dos naufrágios ocorridos na costa do Estado de Pernambuco do século XVI.

Na Seção Comunicação, William Carmo Cesar publicou uma conferência que não apenas percorre a viagem de circum-navegação do HMS Beagle, em que estava Charles Darwin, como também desenha a situação do conhecimento e da prática da navegação à época.

A Resenha desta edição é de autoria de Luiza das Neves Gomes, que disserta criticamente acerca do livro Comércio e Canhoneiras – Brasil e Estados Unidos na era dos Impérios, do brasilianista Steven Topik, lançado no Brasil pela Cia. das Letras em 2009.

Na última Seção, Documentos, publica-se uma Carta do Embaixador José Marques Lisboa ao Imperador Dom Pedro II, que descreve o naufrágio do Navio Ocean Monarch, a dez milhas de Liverpool. Tal catastrophe ocorreu quando abrazadoras chammas consumiram a mastreação e o velame do navio; nessa lastimosissima tragedia, 160 vidas foram salvas pelo Capitão de Mar e Guerra Joaquim Marques Lisboa, futuro Marquês de Tamandaré.

Em cada edição, percebe-se como importantes pesquisadores brasileiros, de diferentes instituições e núcleos de produção acadêmica, têm escolhido divulgar os resultados de suas investigações na Navigator. Dessa sorte, o periódico tem recebido e publicado trabalhos de qualidade, contribuindo desse modo para o refinamento da historiografia nacional. Boa leitura!

 

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