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Guerra aos franceses: a política externa de Dom João VI e a ocupação de Caiena

Lúcia Maria Bastos P. Neves
Professora titular de História Moderna da UERJ. Cientista do Nosso Estado/Faperj. Pesquisadora do CNPq e do Pronex/Faperj/CNPq – Dimensões da Cidadania.


RESUMO
Este artigo analisa a intrincada construção da política externa portuguesa acerca de Caiena, bem como os significados de sua conquista para os políticos da época. Se, para Dom Rodrigo de Souza Coutinho, tal conquista podia significar uma ampliação dos limites do Império luso-brasileiro, para os demais políticos, muito mais voltados para a questão europeia, pretendia-se, desde o início da administração da Guiana, que esta fosse uma conquista temporária.

PALAVRAS-CHAVE: Caiena, Dom Rodrigo de Souza Coutinho, Política Externa de Portugal

ABSTRACT
This paper examines the intricate construction of Portuguese foreign policy concerning Cayenne, and the meaning of its political achievement at the time. For D. Rodrigo de Souza Coutinho such achievement could mean an extension of the limits of the Portuguese-Brazilian Empire. However, for other politicians more interested in the European question, this was only a temporary victory, intended as such since the beginning of the Guiana’s administration.

KEYWORDS: Cayenne, Dom Rodrigo de Souza Coutinho, Portugal’s Foreign Policy

Em 27 de outubro de 1807, a assinatura de um tratado entre França e Espanha, o Tratado de Fontainebleau, seguida por um ultimato de Napoleão Bonaparte e a concentração de tropas francesas na fronteira espanhola obrigaram Dom João a escolher a saída há muito aventada por diversos homens públicos: a retirada da Corte para a parte americana do Império. Vale lembrar, como também fez Laura de Mello e Souza, a manobra, a essa altura, tinha precedentes, pois tanto o rei do Piemonte quanto o das Duas Sicílias, para preservar a coroa ao longo das guerras napoleônicas, já se tinham ausentado “temporariamente de suas capitais e estados”. Nenhum deles, porém, ousou enfrentar a aventura de cruzar um oceano.

Com a partida, como em qualquer tempo de ausência do soberano, um Conselho de Regência foi instalado em Portugal, através de um decreto do príncipe regente de 26 de novembro. O Conselho era composto por representantes da nobreza, do clero e da magistratura, todos escolhidos pela grande experiência adquirida nas coisas do governo, como pela confiança que Dom João neles depositava.

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