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Problemas do Poder Naval português na guerra contra os holandeses

Wolfgang Lenk

Economista, Mestre e Doutor em História Econômica pela Universidade Estadual de Campinas, é atualmente
professor do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia


RESUMO
O Este artigo procura verificar a condição do Poder Naval português ao longo da guerra contra a W.I.C., os recursos necessários ao desenvolvimento e operação da Marinha, os custos e disponibilidade de receitas da coroa portuguesa para sua conservação em um momento crítico de sua história: a Restauração de 1640.

PALAVRAS-CHAVE: Portugal, Poder Naval, Restauração
ABSTRACT
This paper seeks to verify the condition of the Portuguese naval power throughout the war against the WIC, the resources necessary for development and operation of the Navy, the cost and availability of revenue of the Portuguese Crown to preserve them in a critical moment in its history: Restoration of 1640.


KEYWORDS: Portugal, Naval Power, Restoration
Desde quando se faziam os primeiros trabalhos de história da experiência colonial holandesa na América do Sul, que se viria a chamar posteriormente de Brasil holandês, a vitória portuguesa sobre a maior potência marítima do início do século XVII sempre causou perplexidade. Mediante o emprego da fluyt (embarcação mais eficiente na relação carga/tripulação), o controle do comércio báltico (fornecedor de grãos e material bélico) e a extensão da pesca no mar do Norte, a Marinha Mercante das Províncias Unidas exercia supremacia comercial sobre a economia-mundo europeia, lançando Amsterdam como centro financeiro. Por sua vez, o controle português do comércio oriental estava em decadência desde meados de 1550, devido à reação de turcos, malaios e malabares e, posteriormente, ao domínio da rota do Cabo por ingleses e holandeses. Ao fim do século XVI, os pioneiros das grandes navegações rumavam à obsolescência técnica e estratégica que submeteria os Impérios de Portugal e Espanha à penetração dos rivais, abrindo no século XVII uma corrida pela ocupação das áreas ibéricas definidas em Tordesilhas1. A formação da Companhia das Índias Ocidentais holandesa (a West-Indische Compagnie, ou W.I.C.) em 1621, após o fim da Trégua dos Doze Anos, e o desembarque flamengo na Bahia de Todos os Santos em maio de 1624, incluíram o cenário sul-americano neste quadro.

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