A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.





Capital da Guiana Francesa, Caiena foi ocupada por tropas portuguesas em 1809, em represália à invasão de Portugal pelos franceses comandados por Andoche Junot. Em torno dessa temática, foram reunidos nesta décima primeira edição da Revista Navigator os trabalhos que constituem o Dossiê “A Tomada de Caiena”, apresentados no Seminário homônimo realizado no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), em 28 e 29 de outubro de 2009. Além das indeléveis contribuições de especialistas ao assunto, eles evidenciam de forma paradigmática como o fazer historiográfico atual pode ser abrangente e multifacetado.

Assim, circulando sobretudo pela história militar, política e cultural, esta edição da Revista Navigator é inaugurada com a apresentação de Arno Wehling sobre o tema, em que problematiza as explicações que podem ser admitidas para o início das operações militares portuguesas que partiram do Pará, em janeiro de 1809, contra os franceses na América. Em seguida, Ciro Cardoso inverte a lógica da abordagem e analisa a tomada de Caiena sob outra referência: o ponto de vista francês. Ismênia Martins se debruça sobre as imagens e representações iconográficas de Dom João VI, um monarca rodeado por muitas controvérsias. O desenrolar das ações políticas e militares tornou-se o objetivo do trabalho de Cláudio Rosty. Em seguida, Nívia Pombo, com originalidade, estabelece conexões entre as plantas e sementes do Jardim Botânico de Belém do Pará e os objetivos mercantis da Coroa portuguesa na região. Ronaldo Melo verifica o significado das operações em Caiena para o atual Corpo de Fuzileiros Navais, em um exercício de memória e de história. Encerrando o Dossiê, Lúcia Neves deslinda a intrincada política externa portuguesa da época, explicitando os sentidos da conquista para os políticos da Coroa portuguesa.

Wolfgang Lenk, Marcelo de Oliveira e Carlos Rios e Souza produziram trabalhos para a Seção Artigos. Lenk investigou a condição do Poder Naval português e os recursos da Coroa no contexto crítico da Restauração dos Bragança de 1640. Marcelo de Oliveira analisa a Divisão Naval do Leste da Marinha Imperial e sua atuação na costa da África. À guisa da Arqueologia Subaquática, Carlos Rios e Souza não apenas propõe uma classificação para fatores causadores de naufrágios, mas também fornece subsídios para a interpretação de dados que permitam a identificação das causas de cascos soçobrados.

Na Seção Comunicação, Gláucia Soares de Moura e Paula Tavares Dias apresentam a Exposição Permanente do Museu Naval intitulada “O Poder Naval na Formação do Brasil”, bem como as múltiplas atividades culturais existentes na Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM); demonstram, assim, como os Museus devem ser um espaço de informação, dinâmicos, que despertam a consciência coletiva para a necessidade e benefício de se preservar o Patrimônio Histórico Nacional.

Na Seção Resenhas, Luiz Guilherme Moreira esmiuça as inovações nos modos de produção da escrita da História Militar em Portugal, a partir da resenha do livro – já clássico – de mesmo nome, coordenado pelo renomado historiador português António Manuel Hespanha.

Por fim, na Seção Documento, publica-se a carta de Francisco Xavier de Mendonça Furtado (Conde de Povolide), então governador de Pernambuco, datada de 2 de setembro de 1789, e endereçada à Secretaria de Estado da Repartição da Marinha e Domínios Ultramarinos. Nela, o Conde dava conta da situação da nau que fazia o transporte de seu sucessor, Manoel da Cunha de Meneses.

Assim, em sua décima primeira edição, marcada por trabalhos de renomados historiadores, a Revista Navigator continua a promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre História Marítima nos meios militar e acadêmico.

 

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